Terça-feira
Nada Patinho Feio...
E quando criança era da turma dos feios, esquisitos, rejeitados.
Sofria de timidez aguda, mal respondia a chamada, pra não ser notada, nem pela professora.
Queria sumir se alguém lhe pedisse algo ou se precisasse sair da sala pra ir ao banheiro.
Tinha sempre uma amiga, a outra estranhinha da sala.
Gostava platonicamente do menino bonito, que gostava declaradamente da menina mais bonita da escola.
Aquela que era bailarina, melhor jogadora de vôlei, a que tirava nota dez em quase todas as matérias, pesava 20kg e andava como se fosse um cisne.
E ela, parecia um pato, um pato gordo, com cabelo crespo, curto e rebelde.
Era mediana nas notas, era mediana nos esportes, aliás detestava as aulas de educação física, mas amava as aulas de história e artes.
Talvez por isso, fosse sensível e pensava que isso um dia fosse mudar.
E não é que mudou.
Os hormônios da adolescência ajudaram a formar um corpo bonito, com formas. Ela não se tornou um exemplar de capa de revista, mas não deixa a desejar.
Seus cabelos foram domados, graças a tecnologia e amigos cabeleireiros que a adoram.
Sua timidez correu ralo abaixo, graças aos jogos teatrais. E ela se descobriu mais que bonita, charmosa, interessante, o que é melhor que só beleza, em sua opinião.
E ao ver aquelas garotas top foda da época de patinho feio, hoje...constatou que as coisas se inverteram drasticamente!!!
O patinho feio virou mulherão e o cisne, bagulhão!!!...hahahaha...
Quinta-feira
Borboletas invadem o meu estômago
Depois de muito tempo, to me deixando levar.
Parei de sentir, acho que por vontade própria criei uma rede invisível, impedindo a invasão desse "inseto" lindo e que causa um mal estar gostosinho na gente.
To me deixando ficar doente, mesmo.
As pessoas aconselham, meu cérebro me fala, eu sei, mas como faz???
Parece que meu coração, burro, não tá nem aí, e segue pelo lado oposto.
O amor é quentinho, gostosinho, acalma, aquece a alma.
A paixão é doença, dói na carne, corrói a alma.
Eu quero tanto, tanto que me sinto adolescente, teimosa.
Isso me faz sentir viva e ao mesmo tempo perdida, sem saber o que fazer, porque como aquela paixão adolescente, é totalmente platônica.
Não sei se existe reciprocidade.
E nem vem, não vou perguntar...a decepção é pior do que essa sensação dolorosa da paixão.
É uma inquietude que me faz ficar quieta.
É uma muvuca interna tão grande que parece que não raciocino.
Falo oi, fico quieta, sorrio, fico séria?
Me arrumo mais, é verdade,quero ficar mais bonita...não sei se to conseguindo, mas to tentando.
Vou do quarto pra cozinha, pro banheiro, pro quarto, abro a geladeira, sento, levanto e nada me acalma.
A única vantagem de se ter borboletas no estômago é não haver espaço pra comida...
Me prometa o impossível!!
O que se sabe que não pode controlar, negar, nem impedir.
E que dói quando vem.
Que é inevitável.
Não se sabe como, nem pra onde, nem porque.
Porque não suporto mais sentir saudades e pensar que os que ficam um dia também se vão.
Porque não me ensinaram a ficar tranquila e conformada.
Porque sou egoísta, mimada até.
Porque eu não sei como fazer sem você!
Quero que você prometa que nunca irá morrer.
Sábado
A regra é clara!!!
E eu invento regras.
E não passa um ano, quero quebrá-las.
Nada me impede, afinal fui eu quem as inventei.
Mas e a minha palavra, não vale nada???
Arregaço, destruo, crítico, julgo, acabo quem faz algo que eu não admito.
Mas quando chega a vida e me coloca do outro lado da história...é bebe, o mundo sempre dá voltas...minhas regras estão lá.
Elas também valem pra mim.
Aiiiii que vontade de mudá-las e falar: foda-se, quem é que paga minhas contas?
Mas e o post anterior, dizendo que quero viver o presente pra ter um futuro melhor.
Se eu ligar o botão: FODA-SE, perco a pessoa que está vivendo o outro lado da história comigo e meu futuro será como??? Sozinha???
Tenho que controlar a vontade de viver a vida aqui agora intensamente como se não houvesse amanhã e parar de inventar regrar idiotas para convivência cada vez que alguém fizer algo que não concordo.
Ligando o botão do foda-se para novas regras!!
E a única que manterei é a SEJA FELIZ!!!
Sexta-feira
Fusca X Ferrari

Um médico com sotaque espanhol, cara simpática e muito enfático me diz:
- Não se trate como um Fusca, pois você é uma Ferrari. E bla bla bla.
E não, isso não foi uma cantada.
A ideia é que se você tem um Fusca e ele quebra, você liga pro primo, que joga futebol de domingo e o goleiro do time entende de carro. Daí vai o primo e o goleiro onde tá o Fusca quebrado, com uma chave de fenda, dá uns apertos aqui, outros ali, o Fusca funciona. Você leva o carro em qualquer posto e coloca gasolina, mais barata. Ah, é um Fusca.
Agora, se você tem uma Ferrari e por um acaso ela para de funcionar (porque é feio falar que ela quebra) você nem pensa em ligar pro primo, você liga pra Ferrari, pro seguro, espera o cara que "fez" o carro vir consertar. Vai no posto "X" que comprovadamente tem a melhor gasolina e paga mais caro por ela.
Afinal, é uma Ferrari.
- Então por que você faz isso com você, por que você se trata como um Fusca??
O que me deixou mais pensativa, não foi o fato da lataria da Ferrari ser beeeem legal.
Mas o interior também ser incrível, dizem que um dos melhores e comecei a prestar atenção no que eu estou fazendo comigo! Não estou tão velha para ser comparada ao Fusca, mas também não me sinto a Ferrari.
Pelo menos isso fez com que eu começasse a tentar ser mais saudável. Como??
Ai é que tá.
Como é difícil tentar ser mais saudável, sendo que não se é desde que se lembra.
Larga-se um vício e cria-se outro?!?!? Água, muita água!!!!!
Mas tentar já é bom, já é válido, já posso começar a me tratar como Ferrari, mesmo me sentindo um Palio..rs..
A vida mostra coisas e faz com que continuemos a tentar, não desistir.
O difícil da vida, não é viver o hoje com os sacrifícios do dia, como trabalhar, acordar cedo.
Ou lembrar com saudosismo ou com tristeza do ontem.
O difícil é viver o hoje, pensando em ter um futuro feliz e tranquilo.
Um futuro com mais disposição, saúde, com mais futuro.
Plantar para colher.
Eu, que sempre quero o agora, o prazer da vida, hoje.
Pois não se sabe quanto tempo temos, então pra que pensar no amanhã?
Não sei o que será, como será, então pra que me preocupar hoje?
Pra que deixar pra hoje, se eu posso mudar amanhã?
Pois bem.
Sem sofrer de ansiedade, sem deixar de aproveitar o presente, pensando no hoje para ter qualidade no amanhã, vou tentar e talvez até consiga, levar uma vida mais digna de uma Ferrari.
Domingo
Que venha...
E foi-se mais um ano.
E como se o tempo fosse real e o término dele parecesse um livro que termina e que podemos começar outro novo, interessante, cheio de esperança.
O que é uma ilusão. Tudo é igual. O ano vira, como o dia que muda, independente da data.
Mas o gostinho de que é novo dá uma esperança de que podemos melhorar e que as coisas podem melhorar. Mesmo que elas não melhorem, mesmo que eu não melhore.
As promessas causam frustrações do meio do ano para o fim, pois quase sempre não são cumpridas.
As pessoas são as mesmas, o trabalho é o mesmo, o ap é o mesmo, o corpo é o mesmo, talvez mais magro esse ano, ano passado entrou mais gordo...quem sabe como estará ano que vem.
Enfim.
A esperança de ser Doce é que me move e anima para continuar a fazer a mesma coisa.
Sabendo que as pessoas serão as mesmas.
Que os pedidos de desculpas, ainda não serão desculpados.
Que as vontades não serão todas atendidas.
Que as coisas gostosas poderão deixar de ser gostosas.
Que os amados tem que ser cultivados para continuar amando.
Mas a ideia de renovação é que me faz começar o ano feliz e cheia de esperança de que esse ano será melhor que o que passou.
E assim espero.
E assim eu quero e farei.
Se quiser, pode ser Doce pra você também!!!
Terça-feira
Quadrilha
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha.
E assim é que a vida segue...
Engraçado que quando alguém se encontra parece que tem dois alguéns que ficam tristes.
Porque sempre tem um que amava o outro que gosta do um, mas não o suficiente para ficar com ele. E assim por diante.
E assim a vida segue...
Até o dia que esse um que ficou, ache o seu outro, que vai deixar outro um triste e assim criar uma nova quadrilha.
O poeta não é poeta por acaso.
Um escreve a vida tão verdadeiramente o outro canta a vida tão realmente.
E assim é que a vida segue...
As coisas sempre vão se ajeitando de um jeito ou de outro.
Como diria o outro poeta, mais jovem e tão sensível quanto, o que é seu, virá e virá no tempo que deverá vir, porque deus não esquece, ele capricha...ou algo do gênero.
Então, a vida segue e tudo deverá acontecer no tempo que deverá acontecer.
Não adianta apressar, nem querer que aconteça antes da hora.
Música para esse post: "Flor da Idade" de Chico Buarque
Poema para esse post: "Quadrilha" de Carlos Drummond de Andrade
Sugestão de Caio Fernando Abreu
A Professorinha!!
Estou assistindo algumas peças de alunos na escola e sempre rola um medo de não gostar e me sentir pressionada a falar alguma coisa bonita no final porque preciso, porque sou professora da escola, porque o aluno sente a necessidade da aprovação.
Mas não to precisando mentir.
Ando com um orgulho dos meus alunos.
Eles me emocionam.
Claro que muitos deles me deixam felizes e tal, até chego a trabalhar com eles, gosto disso, sinto prazer.
Teve uma turma, em especial, que sempre me fazia chorar.
Era uma só...engraçado...só aquelas meninas, conseguiam me fazer chorar de emoção, de tanta paixão que tinham ao fazer a peça de fim de semestre, acreditavam tanto no que estavam fazendo, independente da proposta, era lindo de ver. Tanto que me emociona ver o que sobrou dessa turma até hoje, profissionalmente. Imaginando por aí, sonhando o sonho do teatro.
Mas ultimamente, mais deles me fazem chorar de emoção.
Acho bonito quando vejo que o "cara" entendeu um pouquinho do que é teatro e consegue, de verdade, fazer teatro.
Acho bonito ver o "cara" inteiro em cena, acreditando naquilo, que até então é sonho.
Não sei se estou emotiva, se o tal cara está empenhado mesmo, mas acho bonito.
Talvez agora tenha entendido mais o que é ser professora.
Ou talvez tenha ficado mais mole.
Não importa, to gostando de ser a professorinha.
Na foto: Eu e Dani Sarti na montagem de "O Sonho" de Strindberg
Segunda-feira
O que é pior???
A gente é besta mesmo.
Faz uma merda um dia...não lembra o que fez...acha que não fez nada e não entende a cara feia do outro pra gente.
Confesso que devo ter feito muita merda nessa vida, nesses últimos tempos, principalmente.
Tem muita gente de cara feia pra mim.
Confesso que sou um pouco sem noção, impulsiva, explosiva e quase sempre quando faço a merda estou alcoolizada, normalmente estamos, mas isso não é desculpa...
Mas também, se eu esqueço, é porque não era de verdade né?
Era um bobagem qualquer, uma irritação momentânea, um ciúme bobo, um jeito de chamar a atenção da pessoa, "olha pra mim, fala comigo" de um jeito imaturo, de um jeito sem jeito.
O problema não é nesse momento.
O problema é o tempo quando passa.
E não é no próximo momento...é muito tempo depois.
Eu não lembro nem mais o que aconteceu, mas a pessoa, alvo da merda dita ou feita, aquela que nunca esquece do tapa levado, a que não perdoa, ela fica mal de cara feia, sem falar mais comigo...e eu quase sempre, não sei o motivo.
Não seria mais simples me dizer o que foi.
Se você pensar em todas as coisas legais que eu te disse e pensar nas coisas ruins e eu valer a pena, me diz o que foi.
Agora se passar muito tempo e o silêncio continuar, vou entender que a cara feia será pra sempre.
E eu que sou bestona e sem noção vou sofrer de saudade e você vai sofrer de raiva...e o que é pior???
Isso vale pra mim e pra você!!!
Música para esse post: Marisa Monte "Sintoma de Saudade"
Ai, que saudades que eu tenho
Ai, que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida com Ana Virginia Miranda, Paulo Guilherme de Mattos, Juliana Stumpf, Roberta e Karen Rossini.
Que saudades, da idade mais complicada e estranha que é a adolescência junto com Maria Claudia Cunha, Daniela da Silva Costa, Tathiana Alves Inocêncio, Tatiana Rocha, Anderson José da Costa Gama, Fernando Mathias, Marina “Dickinson”.
Os amores incríveis e lindos nunca vividos e para sempre lembrados, Marcelo, Ricardo, Alexandre, Márcio...
As dificuldades do pré vestibular, atenuadas pela alegria da galera do rock and roll, Roberta, Ju, Carol, Maíra, Mauro, Walter, Vítor...e todas aquelas chatices de cursinho, que não entraram na minha cabeça, mas os amigos, ficaram pra sempre no meu coração.
Saudades do novo mundo que me foi mostrado através do teatro, com Renata Santos Francisco, Adriana Rubra, Mariana e Lu Galeno e no pacote, Sabrina de Meo, Luciana Busco e os meninos de Bortolândia, depois a escolha deliciosa e definitiva da profissão, descobrindo como ser ator-mentado com Eduardo Aznar dos Santos, Simone Alves Costa, Fernanda Costa, Flavio Rodrigo, Ciça Palanch, Renato Murakami, Tatiana Azevedo, Rodrigo Almeida, Patricia Barbosa, Aline Martins, Rebeca Ukstin e todos os que passaram pelos amarelos corredores do Teatro Escola Macunaíma.
Saudades do tempo em que o tempo era o agora ou nunca.
Saudades das dores bobas e intensas que se apagavam com a lembrança ou a presença do amigo.
Quero o tempo em que brigar durava pouco e rir durava muito.
Pessoas ainda amadas e sempre lembradas.
Saudades.
Escrito feito por conta do processo de ensaios e das apresentações da peça "Princesa, eu?".
Revivi minha adolescência e me re-transformei.
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